Não Se Desapontar
“Quando você foca numa estrela durante muito tempo, acaba esquecendo de admirar todas as outras milhares.”
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Friday, August 29th 2014, 4:30 PM


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absolutely-notthing:

Hoje é dia 14 de maio de 2014, fazem quase 8 meses que eu te perdi. As vezes eu acho que é torturante, mas em outras, que foi melhor assim, de algum modo. É claro que, no momento, eu estou vendo o quanto é torturante, mas amanhã, eu posso achar que foi melhor assim. E por que seria melhor assim? Porque você finalmente teve sua liberdade e está vivendo, mas é torturante porque eu realmente sinto a sua falta.

Nós fazíamos planos, ouvíamos as nossas músicas e escrevíamos os nossos respectivos livros, e você mentia dizendo que o meu era muito bom, mas eu sei que você fazia isso porque me amava e não queria me magoar, eu entendo. O problema é que eu não via que eu estava pulando de cabeça na piscina sem ao menos ver que ela estava vazia. E sim, isso é um trecho do livro em que você também disse que estava bom.

Sabe, eu parei de escrever, desisti do livro. Por quê? Bom, de repente tudo se tornou tão triste e escuro que tudo que eu consigo enxergar é um palmo à minha frente, a primeira camada das minhas emoções, que é a que prevalece. A mais distante de mim agora, é a que eu costumava ter/ser. A primeira, é tristeza que estou vivenciando, a segunda, a qual eu consigo ver quando as coisas estão mais “claras”, e a terceira, bom, era como eu me sentia quando eu tinha você. O incrível arco-íris. Acho que eu posso chamar assim.

Esse é o primeiro texto que eu escrevo para alguém que não seja minha família ou namorado, e eu não sei ao certo se estou me saindo bem porque fazem oito meses que eu enferrujei, larguei os textos e afundei na minha vida. Por sorte, eu ainda sim consegui passar de série, mas as minhas notas não estão tão boas.

Eu queria alguém que me entendesse a falta que você me faz e como eu te amo, mas eu creio que a única pessoa que poderia me entender seria você, e isso não faz muito sentido. Tá aí, mais um motivo pra eu sentir a sua falta.

Essa foto eu peguei no seu Instagram, e quando a vi eu chorei por umas duas horas seguidas, ali estávamos nós, nós e a nossa pequena felicidade, tal que era suficiente para mim.

Você foi a melhor amiga que eu pude ter, e nove anos não são pouca coisa, mesmo que em boa parte desse tempo nossas estradas se separaram para se encontrar depois. Agora nossas estradas se separaram novamente, mas a diferença é que, à frente, eu só consigo ver as estradas se separando mais e mais. Você está tão longe agora, segurando seus sonhos nas palmas de suas mãos, e eu meus problemas, tentando consertá-los com cola de papel, o que logicamente nunca irá funcionar. Por mais que eu sempre te veja na porta da sala de aula esperando a sua nova melhor amiga sair, eu sinto como se aquela menina do cabelo claro que eu conheci em 2005 não é mais a que eu vejo na porta da sala. Não, eu não acho que realmente seja, você cresceu e se descobriu, você fez seus sonhos e está indo em busca deles. E eu me sinto como se eu fosse a mesma, sentada no banco da escola, fechando os olhos com a luz do sol e te vendo passar.

Mas seus sonhos se desviaram dos meus. Nós não vamos mais para Las Vegas, Nem para o Texas, nem para o parque. É que você disse que seríamos aquelas velhinhas do parque, e depois desse dia eu nunca quis tanto que o tempo passasse. Mas depois que você se foi o tempo pareceu uma eternidade pra mim. E eu fico aqui sentada na beira da cama esperando o tempo passar, e não passa. E não passa. E não passa. É como se meu relógio estivesse sem as pilhas. Mas é só eu. Só eu sem você.

Me desculpe pelo clichê, é que, bom, eu gosto dele. Gosto tanto que acreditei que você poderia ser minha “melhor amiga para sempre”. Eu não estou te culpando, nunca culpei e você sabe disso, você é dona das suas escolhas e eu respeito, mas pra mim foi o fim do mundo te ver passar com uma de nossas amigas, rindo, sem ao menos  me olhar, enquanto eu ficava como uma barata tonta procurando alguém pra ficar comigo também, para te substituir como você me substituiu. E eu não consegui, ninguém nunca seria como você e nunca foi, até hoje. Eu não conheci muita gente nova, mas todas que conheço, e tento fazer amizade, parece que eu travo… “Ela nunca vai ser como sua amiga foi”… É isso que não me deixa continuar. Eu queria continuar, mas você sabe que não é fácil assim, ou até saberia se tentasse pensar como se estivesse no meu lugar, mas não pensa.

Tantas músicas que ouço agora me levam a você. Tantos livros que leio me levam a você. Tantos lugares que vou também me levam a você, todos os caminhos que tento me desviar me levam ao mesmo, que me leva a você. Ou pelo menos eu queria que levasse. Eu queria que levasse. Eu queria que me levasse pra qualquer lugar se você estivesse lá.

Eu queria que você voltasse. Queria. Mas hoje eu sei que tudo vai ser melhor se você seguir o seu caminho. E eu vou deixar.

Talvez esse seja um defeito meu, eu deixo as pessoas irem se isso fizer com que a vida delas melhore, e deixo-as passarem por cima de mim quantas vezes quiserem.

Mas é como minha psicóloga disse “O seu único problema é que você ama demais, você sente demais. E isso faz com que você chore mais, se deixe levar”, que por ironia do destino, ela tem o mesmo nome que você.

Eu sei que ainda vou levar um tempo para me recuperar, mas desconsiderei a mudança de colégio, isso porque uma vez você me disse que ficaria muito triste se eu fizesse isso, e acredite ou não, mesmo achando que hoje é diferente para você, eu não quero quebrar o seu coração porque eu AINDA te amo e ainda não faço as coisas que você são gostaria que eu fizesse, porque eu sei que você sempre fez o que era melhor pra mim.

"Quero te agradecer por ser a minha melhor amiga de verdade, não só nas horas ruins nem nas horas boas, mas em todos os momentos…"

Eu queria que fosse assim, juro que eu queria, mas parece que de repente, tudo que eu fiz foi em vão.

Nós fomos a melhor dupla, melhor que Batman e Robin, melhor que qualquer um e até mais forte. Mas como em todas as duplas, um é sempre desfocado. Na verdade, eu não sei quem ficou como a mais desfocada. Bom, creio que seja eu, apesar de não querer.

É isso, eu te amo.




“Achou que foi em 2004 que a vovó parou de andar. Simplesmente não conseguia mais, ela nunca foi muito ativa, dessas avós corre-mundo de novela, fazia mais o tipo avó de palavras-cruzadas, rezas católicas, Roberto Carlos e jogos do Internacional no radinho de pilhas. Meu avô era o oposto, estava sempre zanzando, sempre trazendo algo novo da rua, ou o usual hálito etílico da birita dominical com seus cupinchas de bar (quantas vezes ouvi a ordem “o almoço está quase pronto, vá buscar o seu avô!”). Eles não admitiriam – nem poderiam, entre tantos outros – mas sempre me senti o neto predileto, eu estava sempre por perto, era amoroso, gostava de brincar com os lóbulos molengas dela e assistir filmes de bang-bang e jogos de vôlei feminino com ele. Um dia meu avô me chamou no quarto. Supostamente minha avó não queria se levantar para tomar o último café do dia, e a lenga-lenga estava o deixando irritadiço. Então eu tive de dizer “ei, vô, a vó não caminha mais” e ele ficou meio confuso, as mãos na cintura, ofegando. Não deu outra, após alguns exames detalhados, o diagnóstico foi o tal do Mal de Alzheimer, coisa que só se dava com o avô dos vizinhos. Com mais alguns anos, minha avó deixou de se alimentar como um adulto, passou a se comunicar apenas com gemidos e sinais. E meu avô foi esquecendo quem eu era, quem era todo mundo. Só não esquecia da sua “Deusa”, como ele dizia, que estava sempre ali, na poltrona próxima à janela. Era um tanto irônico. Ela, com a memória de ferro intacta, vegetando. Ele, pra lá e pra cá nos corredores, perguntando às enfermeiras que horas o carro chegaria para levá-lo de volta para sua casa – onde ele já estava, de onde dificilmente saia. Na cabeça dele, estava, vai saber, na agência de Correios onde sempre trabalhou até uns 30 anos atrás. O tempo foi passando, ele deixou de assistir filmes de bang-bang, foi ficando cada dia mais esquecido, mas agressivo e impaciente, às vezes protagonizando umas cenas engraçadas, que a gente ria antes de chorar. Mas sempre zanzando. Corredor, cozinha, porta da frente sempre trancada, corredor, sala, banheiro, quarto de dormir. Como se estivesse num lugar nada residencial, trancado fora do mundo que levou décadas para construir. Então a vovó pegou uma pneumonia. Aí melhorou. Ficou ruim outra vez, os antibióticos não funcionavam. Até que me ligaram no meio da noite. “Ela piorou muito”, eu sabia, era apenas um eufemismo de quem não sabe como dar a notícia. Ao chegar no quarto, o rosto frio de quem não havia sofrido muito, os socorristas preenchendo formulários, legalizando o sono eterno. Ele deitado do lado, olhos fechados e o neuro-tique de mastigar as gengivas, sem nada desconfiar. Igual ele não discerniria, seria árduo explicar a diferença de vida e morte a um velhinho agredido por uma doença degenerativa avançada. Foi consenso não contar, às vezes a realidade apenas traz dores desnecessárias, felizes são os que vivem no mundo da lua. Pela manhã, enquanto ele contava piadas na sala, a funerária passou com o corpo. Isso foi há umas duas semanas, mais ou menos, e até hoje ele não perguntou por ela. Parece feliz, daquele jeito dele, dias bons, dias ruins, nenhum é igual. Não sei se foi o certo a fazer, mas foi o melhor. Há casos em que a correção não alivia o sofrimento de ninguém. Mas uma coisa me veio à cabeça, enquanto o padre fazia a extremunção divertindo o pessoal melhor do que faria Jerry Seinfeld, um verdadeiro showman. Será que ela não segurou a barra de viver entrevada esse tempo todo só para morrer quando justamente não o faria sofrer? Impossível saber, mas eu acho que sim, seria uma prova de amor contundente no meio dessa matilha de relações egoístas. E, apesar de não crer muito nessas coisas, também gosto de pensar que ela foi para um lugar melhor. Um lugar onde as pessoas lembram do seu nome.”
Gabito Nunes     (via legitimada)



“A verdade é que não existem músicas que falem de amor que possam ser julgadas ruins quando se está dopado de amor.”
— Alguém que você não gostaria de conhecer. (via minha-causa-pedida)